A RNSA é reconhecida pela UNESCO como o primeiro Posto Avançado da Biosfera no estado desde 2005, que conta com uma área protegida de 6.285,38 hectares. A ação foi coordenada pelo projeto Refaunar Arvorar, promovido pela ONG Aquasis, Associação Caatinga e pelo Arvorar, novo Parque temático do Beach Park voltado à educação e conservação ambiental.
Os filhotes são fruto da reprodução de um casal de indivíduos que passou pelo processo de aclimatação na reserva. Por sua vez, a fêmea que deu origem aos ovos é uma das aves recebidas pelo Parque Arvorar como fiel depositário em setembro de 2024, por meio de uma ação coordenada com o Ibama.
O Arvorar tem como um dos seus pontos de atuação o cuidado de animais silvestres vindos de apreensões ou resgates realizados pelos órgãos ambientais, e teve papel central nesse processo.
A fêmea que deu à luz aos filhotes havia sido apreendida pelo órgão responsável e passado por um cuidadoso trabalho de avaliação e recuperação pela equipe do Arvorar, junto com outros indivíduos da espécie, até que o órgão definisse a destinação dos animais e os encaminhasse para o local indicado.
Dentro do recinto de aclimatação, na Serra das Almas, em que estava com outros dois espécimes, a fêmea se reproduziu e colocou seis ovos férteis, dos quais nasceram os quatro filhotes que foram soltos, na última terça, junto com os pais e outros dois filhotes adotados da Serra de Baturité.
Eles foram colocados na caixa-ninho em que os primeiros estavam reproduzindo dentro do recinto de aclimatação, para aumentar a variabilidade genética e ampliar o bando.
Processo de reintrodução
Filhotes de periquito cara-suja são introduzidos na natureza, no Ceará. — Foto: Jonas Cruz/Aquasis/Reprodução
Monitorados pela equipe do Refaunar Arvorar desde o início do processo de reintrodução da espécie na Serra das Almas, as aves foram acompanhadas diariamente. A equipe observou que os filhotes estavam sendo bem alimentados e esperou o momento de eles crescerem e voarem dos ninhos implantados dentro do recinto.
“Os indivíduos que deram origem aos filhotes já estavam prontos para a soltura, mas os mantivemos no recinto da aclimatação para não atrapalhar a reprodução deles. E agora chegou o momento em que eles foram soltos com os seis filhotes, que já estavam voando lá dentro do recinto junto com o casal e até interagindo com os pássaros de fora. Então, só faltava mesmo abrir o recinto e deixá-los viverem livres, junto com os outros já reintroduzidos na Serra das Almas”, explicou Fábio Nunes, gerente do Projeto Cara-suja, da Aquasis.
O Arvorar realizou, em dezembro do ano passado, uma ação de reintrodução do periquito cara-suja na RNSA para tentar reverter o declínio populacional da ave e levar os animais da espécie de volta para seu habitat
Na ocasião, além de 18 aves que já haviam passado por período de aclimatação e foram soltas na Reserva, outros três animais da mesma espécie, que haviam sido apreendidos pelo IBAMA, foram encaminhados para o mesmo local, onde passaram pela aclimatação para posteriormente serem soltos.
Dentre eles, estava a fêmea que deu origem aos primeiros filhotes nascidos na região após o longo período de defaunação da espécie.
“Comemoramos cada passo desse processo. Desde as condições favoráveis das aves irem para a aclimatação, depois a reprodução da fêmea que havíamos recebido do Ibama e cuidado dela com todo carinho, até o nascimento dos filhotes e agora a soltura de todos eles. É essa a missão do Refaunar Arvorar e a razão de ser do Arvorar. Estamos muito felizes de fazer parte desse momento que é histórico para o nosso estado”, disse Leanne Soares, gerente do Parque Arvorar.
Periquito cara-suja havia desaparecido na região há 114 anos. — Foto: Jonas Cruz/Aquasis/Reprodução