Engenheiros do Centro Universitário FEI e pediatras da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) desenvolveram uma ferramenta de inteligência artificial (IA) que pode identificar o nível de dor de recém-nascidos internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). A tecnologia usa modelos que integram imagens e textos para interpretar as expressões faciais dos bebês com mais precisão.
Em reportagem da Agência Fapesp assinada por Maria Fernanda Ziegler, a médica Ruth Guinsburg ressalta que a dor é um fenômeno subjetivo e o bebê ainda não se comunica verbalmente, dependendendo da observação de terceiros. “Em UTIs neonatais, utilizamos escalas de dor, mas elas são muito subjetivas. As interpretações podem variar conforme o estado emocional de quem o observa, já que um médico, um enfermeiro ou uma mãe mais angustiada podem ter percepções diferentes. Nesse contexto, a ferramenta de inteligência artificial pode ajudar a reduzir essa subjetividade e apoiar a tomada de decisões clínicas”, afirma ela, que é professora de pediatria neonatal da Unifesp e coordenadora-geral da UTI Neonatal do Hospital São Paulo.
A pesquisa, financiada pela FAPESP, foi publicada na revista Pediatric Research e demonstrou que o sistema de IA supera técnicas tradicionais na identificação de estados de dor e conforto. Além disso, o modelo não precisa ser treinado separadamente para cada tarefa, o que amplia sua aplicabilidade clínica.
De acordo com Guinsburg, um bebê internado em uma UTI neonatal pode passar por até 13 procedimentos dolorosos por dia, como punções, inserção de cateteres, cirurgias e intubações: “Essas intervenções são vitais, mas causam dor. Por isso, é essencial equilibrar necessidade clínica e sofrimento, já que a dor mal gerenciada pode deixar sequelas duradouras”.
A expectativa é que, no futuro, a ferramenta emita alertas em tempo real, atuando como um monitor de dor ao lado dos dispositivos cardíacos e respiratórios, apoiando prescrições mais seguras de analgésicos.










